Teorias critico–reprodutivistas
Na década de 60, muitos teóricos passam a desmistificar a visão otimista da escola, na qual os estudantes estão sujeitos a um processo de equalização de capacidades.
O reprodutivismo defende a teoria de que a escola reproduz as diferenças sociais existentes na sociedade, pois não é um sistema à parte.
Bourdieu e Passaron desfazem, em suas obras, a ilusão de autonomia absoluta da escola. O sistema social tem total influência nos indivíduos submetidos à educação. Esses dois sociólogos criaram a teoria da violência simbólica, que seria a imposição das idéias de um determinado grupo para outro. Essa violência é usada com o objetivo de homogeneizar o comportamento social em função de seus interesses.
A escola constitui um instrumento de violência simbólica, para os autores, porque reproduz, em sala de aula, e mesmo fora, as diferenças sociais existentes fora da escola.
Crianças da classe dominante recebem, desde cedo, uma educação semelhante a que irão encontrar na escola, pois são acostumadas a certas atividades que contribuem e às vezes são essenciais para o conhecimento geral. As de classes menos favorecidas não possuem esses privilégios e já entram na escola em desvantagem.
Segundo a hipótese das desigualdades naturais, o sucesso de alguns alunos se deve a certas capacidades inerentes a eles, como dons. Que por coincidência, ou não, são os alunos de origem burguesa. Para os reprodutivistas, essa hipótese mascara o verdadeiro motivo do insucesso dos estudantes de classe baixa.
O filósofo Althusser diz que a escola tem que ser vista como inserida em um sistema capitalista, ele desenvolve a idéia de aparelho ideológico do estado, que consiste na caracterização da realidade em dois níveis, explicada pelos conceitos de estrutura material da sociedade e superestrutura.
Essas duas estruturas têm uma relação de dominância, sendo a superestrutura (estado, escola, etc.) dominante em relação à infra-estrutura (proletariado), portanto é função da superestrutura manter ou assegurar essa dominação da classe burguesa sobre a classe operária. Trata-se da imposição da ideologia. A classe operária só pode continuar existindo através desse método utilizado não só na escola, como também pela igreja, família, meios de informação, etc.
Establet e Baudelot se diferenciam de Bourdieu e Passaron por considerarem o proletariado como que possuindo uma ideologia própria, originada no ambiente exterior à escola. E cabe ao sistema escolar disfarçar essa nascente ideologia.
As análises critico-reprodutivistas têm importância na classificação da escola como detentora e de divisões sociais e sendo principal responsável pela reafirmação das desigualdades dessas classes. No entanto, é necessário que não se atinja o pessimismo dessa teoria a fim de não criar um estado de imobilidade social. Os professores nem sempre são omissos ao sistema, por isso têm a capacidade de mudar seus métodos de ensino. Como diria o filósofo e educador George Snyders, “a partida não se joga unicamente entre alunos ludibriados e professores cúmplices do sistema”.
O professor Luiz Antônio Cunha diz que “se algum problema existe, está na onipotência dos educadores, não nas teorias que pretendem desvelar a ilusão da mudança da sociedade a partir da educação escolar”. As teorias existem para orientar os professores a uma ação, e não os tornarem estáveis e conformados ao sistema de classes.
Virna Varela
terça-feira, 28 de abril de 2009
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